Dimanche 18 mai 2008


I – Três anos antes de sua morte, Vicente Huidobro estava servindo na Segunda Guerra Mundial. No dia 17 de maio de 1945 ele escreve uma carta a seu amigo, o pintor Luis Vargas Rosas: Berlim está em pedaços.

O poeta fala sobre o quanto ele foi afetado pela guerra:    

 

No te imaginas lo que he vivido en sólo seis meses. Nadie se imagina lo que es esto. Quien no lo haya experimentado no puede tener una idea. Yo estoy contento de haber pasado estas experiencias y por nada del mundo querría no haberlas pasado. Todos me dicen que soy otro ser, que debería hasta cambiar de nombre. ¿Por qué no? Acaso lo haga. Borrarlo todo y empezar la vida de nuevo. No se puede negar que es tentador.

 

E complementa:

 

Mis poemas van quedar heridos por muchos años. Pero no importa; nunca he escrito mejor.

 


II – Do prefácio até o Canto VII, encontramos o poeta em seu desamparo.

Altazor, com seu pára-quedas em queda reafirma a incrível viagem funerária da palavra poética:

 

E agora meu pára-quedas caiu de sonho em sonho pelos espaços da    morte.

 

 

                                   

 

 

 

 

18 de maio de 2008

 

par Barrosjose
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Samedi 17 mai 2008

 

Penso em Theodor Adorno e na sua posição de uma prática de não-violência. Em 1969, ele afirmou em entrevista, na revista alemã Der Spiegel: embora eu tivesse elaborado um modelo teórico, não poderia ter imaginado que as pessoas quisessem realizá-lo com bombas. Seus escritos não trazem nenhum modelo para quaisquer ações.

Exercer a crítica não é dizer como devemos fazer melhor as coisas. No entanto, é uma forma de se opor. Mas, não será também a teoria uma forma genuína da prática? A teoria, em virtude da sua própria objetividade, pode ter muito mais conseqüências práticas do que se for submetida de antemão à prática. Aliás, a reflexão que compartilho com Adorno aponta para o caráter ilusório das propostas dos estudantes, em 1968, baseadas somente em um ativismo – uma espécie infeliz de junção da teoria com a prática –, muitas vezes, destrutivo e com poucos efeitos.     

Certa vez, Adorno disse que a teoria crítica quer erguer a pedra sob a qual incuba o monstro. Entretanto, erguer a pedra é bem diferente de jogar pedras! O desespero é sempre o que move as pessoas, já que elas sentem que têm pouca força para modificar a sociedade.

E é claro que a posição de Adorno admite exceções. Quando estamos diante de um fascismo real, só se pode reagir com violência. Contudo, o filósofo se nega a seguir aqueles que, após o assassinato de incontáveis milhões nos estados totalitários, ainda preconizem a violência.

A reflexão de Adorno está calcada em 20 anos de trabalho crítico em relação à sociedade, às indústrias culturais e aos sistemas totalitários, além de outros temas como a estética e a literatura. Ele mesmo diz que teria que renegar toda a sua vida se não se recusasse a participar do eterno círculo de violência contra violência. 

 

 

 

 

 

17 de maio de 2008.

par Barrosjose
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Vendredi 16 mai 2008

 


Paris, 10 de maio de 1968.

 

O poeta Paul Celan escreve em sua agenda: “Noite das barricadas”.

 

 

Durante os protestos estudantis, Celan, acompanhado de seu filho Eric, saía às ruas de Paris entoando cantos de protesto ao lado da multidão ávida por mudanças. Seu otimismo durou poucos meses. Em agosto de 1968, os tanques soviéticos invadem Praga, cidade de Rilke e de Kafka. Celan permanece com uma profunda emoção. 

Ele escreve à Gisèle Celan-Lestrange falando sobre este momento: “Os problemas da poesia se colocam para mim com grande acuidade, os acontecimentos – você imagina o quanto eu sou afetado por estes da Tchecoslováquia – me solicitam no meio disso que eu escrevo, disso que eu experimento escrever” (23 de agosto de 1968).    

O poeta procura manter viva a memória das datas.

 

 

15 de maio de 2008.

par Barrosjose
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Mardi 13 mai 2008

Um diretor que escreve, não um escritor. A lente de Antonioni faz escrita. Letras que se transpõem em imagens. Imagens que apontam letras.

Letras que de novo inspiram outras imagens. Letras suas, letras de outros. Poetas, poemas.

Quem é o terceiro que sempre caminha ao seu lado? pergunta Antonioni a partir do verso de Eliott. Na insistência do verso, repetidas vezes viajando pelo seu pensamento, pode surgir um filme. Não me dá sossego aquele terceiro que caminha sempre ao lado. Quem é o terceiro? Indaga o cineasta Antonioni.

Respondemos com Ponge: o terceiro é o texto. E só nos dá sossego quando nasce.

par Barrosjose
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Samedi 10 mai 2008
corpo que cai   corpo que mexe   corpo que sobe   corpo que desce   corpo que deita   corpo que voa   corpo que desliza   corpo que é carregado que carrega que reluz que seduz que trepa    que some que morre    corpo que se desfaz que se junta que se separa   corpo música corpo ritmo   corpo preto   corpo vermelho   corpo prata   corpo quadrado   corpo que olha    corpo na multidão   multidões de corpos andam   corpos seguros   corpos largados   corpos desesperados    correm    deitam se levantam sobem-descem   ficam dependurados caem de novo    corpo que cai    se desfaz
par Barrosjose
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Lundi 28 avril 2008

Uma folha branca está cheia de caminhos, nos conta Jabès.

Grão de areia, verdes chãos de vazios, escrita ainda à vista. Ausência de texto, fogo a queimar a folha branca, letras flamejantes escrevem língua e sangue. Mas,

 

O começo do pensar se dá, nas palavras de Lévinas, “por traumatismos ou tateamentos, aos quais não sabemos dar uma forma verbal: uma separação, uma cena violenta, uma brusca consciência da monotonia do tempo”.

 

Ler, caminho das folhas...     

 

                            

 

 

 

par Barrosjose
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  • : Les choses & les vestiges
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  • : vestiges photo
  • : Este Blog apresenta parte de meu trabalho fotográfico, com a intenção de compartilhar um percurso de mais de 10 anos de fotografia. Além disso, a partir do início de maio de 2008, comecei a escrever uma coluna (Folhas Volantes) para o site Sibila - Revista de Poesia e Cultura (www.sibila.com.br).
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