Dimanche 10 août 2008


 

No texto Lituraterra (1971), Jacques Lacan começa a construir o que poderíamos chamar de uma teoria da letra, se afastando da ênfase quase sagrada dada ao significante. A primazia do significante vai perdendo o seu poder totalizante. Há nesse texto uma passagem da letra literal, desenvolvida por Lacan em Instância da letra no inconsciente ou a razão desde Freud (1957), para a letra litoral. Uma letra que faz borda e que está situada no real. É isso que a difere do significante, que se situa no simbólico. É preciso esclarecer aqui, que o real lacaniano não tem nenhuma relação com a realidade. Ele é o que brota sem representação do inconsciente.

Lembremos a experiência de Lacan com a pintura japonesa. Em relação a essa pintura, ele lê o território da Sibéria como uma caligrafia, como pura pegada que opera no deserto sem significar. É a operação da letra efetuando-se, pois o que fica visível a olho nu é um traçado de marcas, relevos, e sinais gráficos. Diz Lacan: Quem sabe se o fato de que possamos ler esses regatos que eu vi cobrindo a Sibéria como vestígio metafórico da escrita, não se lia/liga — observem que em francês ligar e ler (lier e lire) têm as mesmas letras — a algo que vai mais além do efeito da chuva, e que o animal não tem a menor oportunidade de ler como tal? (Seminário 20 – 15 de maio de 1973)

Na aproximação à pintura japonesa e depois em relação à escrita oriental, Lacan esclarece que se interessa pela concepção singular dessa pintura, onde não há oposição entre sujeito e o mundo que o representa; a pintura do calígrafo com seu traço de pincel ordena um caos interno. Este caos interessa ao psicanalista, na medida em que do caos pode-se inventar algo, sem ficar aprisionado a uma representação.

A teoria lacaniana caminha do significante em direção à letra. A tentativa de diferenciar a letra do significante é crucial para nos ajudar a entender a desconstrução lacaniana da palavra. A partir de Lituraterra, Lacan explica que se existe um saber no real, este saber só pode ser da ordem da letra e, portanto da ordem da escrita. O que constitui o inconsciente é a letra com o seu movimento e liberdade.

Lacan trata o significante como aquele que abarca o campo das relações de diferença, das representações, da ausência de positividade própria ou de qualidade, e mesmo de identidade. A letra, por outro lado, é marcada por qualidades próprias, é idêntica a si mesma e, em um discurso, é passível de deslocamentos e permutações. Ou seja, ela é manejável. Assim, podemos dizer que a letra, por ser deslocável, é transmissível.

O significante nada transmite e não se transmite: ele representa. Já a letra aponta também a esperança que Lacan tinha de transmissão da psicanálise promovida pela lógica e pelos matemáticos.          

Do estudo da letra, Lacan caminha para o conceito de lalangue (lalíngua na tradução proposta por Haroldo de Campos) que traz em sua definição uma impossibilidade e aponta a negação do universal (há uma impossibilidade da universalidade da língua). Na teoria lacaniana não há letra sem lalangue.

Na verdade, o próprio termo surge de um lapso de Lacan no seminário O saber do psicanalista (novembro de 1971). Ele estava falando da psicanálise e lembrou que, em torno do ano de 1961, havia começado a formular que o inconsciente estava estruturado como uma linguagem.

Cito em tradução livre: Havíamos encontrado um negocio formidável: os dois tipos (Laplanche e Pontalis) que melhor tinham podido trabalhar nessa linha, tecer este fio, havíamos lhes dado um lindo trabalho: Vocabulario de Filosofía. Que digo?, "Vocabulário de Psicanálise". Vocês vêem o lapso, hein? Enfim, isso vale pelo Lalande.

Comento que Lacan passa por Laplanche (Vocabulário de Psicanálise), e Lalande (vocabulário de filosofia) até chegar a Lalangue.

E segue o discurso: Lalangue (lalíngua), como eu escrevi agora – não tenho quadro-negro... Bom, escrevam lalangue em uma palavra; é assim como a escreverei de agora adiante! Olhem como são cultos! Então, não se ouve nada! É a acústica? Querem fazer a correção? Não é um “d”, é um “g”. (Lalangue surge a partir de uma operação de letras). 

Lacan prossegue dizendo: eu havia posto na ordem do dia este termo saussuriano: "lalangue".
(A linguagem, sem dúvida, está feita de lalangue. Ela é uma elucubração de saber sobre lalangue. Mas, o inconsciente é um saber, uma habilidade, um ‘savoir-faire’ com lalangue, acrescenta o psicanalista).

Ainda mais: o inconsciente estruturado como linguagem agora é lugar de inscrição e de escrita.

Caminhando com letras, encontramos a escrita – escrita que traz em suas bordas uma oscilação de linhas, oscilação entre o escrever como o entende a lógica matemática, isto é, esvaziado de significação, e o jogo do equívoco de lalangue, cujo modelo é Finnegan’s Wake de James Joyce, onde o sentido desaparece.

 

 

 

10 de agosto de 2008

Par Barrosjose
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Dimanche 3 août 2008


O tema da negatividade, presente na poética de Paul Celan, também é um motor decisivo da poesia contemporânea. Podemos dividir as tendências da poesia contemporânea em três vias a partir do pensamento do poeta Jean-Marie Gleize. A primeira via seria a da restauração dos modelos antigos contra uma poesia moderna qualificada de elitista. A segunda é aquela que persegue e prossegue o trabalho sobre os versos, a partir de formas antigas e novas. A terceira via é a de uma negação, onde se trata de continuar a poesia depois da poesia, ou a literatura depois da poesia.

É esta terceira via que nos interessa, pois toca a poética de Gleize, mas também aponta para a questão da contra-palavra introduzida por Celan.

Podemos aproximar a contra-palavra celaniana da questão contemporânea da literalidade, trazida por Gleize no ensaio Poésie et Litteralité escrito em 1992.

Celan, em seu discurso O Meridiano assinala que percorreu um caminho do impossível, este impossível caminho. Neste trajeto, ele nomeia a contra-palavra que faz romper o arame. (...) É um ato de liberdade. É um passo.

Gleize nomeia a litteralité como um dos nomes da poesia. Poesia considerada enquanto processo de ultrapassagem (passar além) da poesia, em direção a literalmente qualquer coisa que a contenha e a anule. Na leitura de Gleize, há um ser literal na literatura que significa, simplesmente, que ela é um fato de língua, tem por lugar a língua, é o resultado de um certo número de operações sobre a língua.

Paul Celan fala da travessia que a língua teve que fazer em meio de tantas perdas, tendo que atravessar o seu próprio vazio de respostas, o terrível emudecimento, as mil trevas de um discurso letal. Seus poemas trazem o agudo da atualidade e portam um duelo incessante com a língua, onde o vencedor é a própria poesia em sua incessante disposição para se reinventar.

Esta travessia celaniana nos lança em direção a poesia contemporânea. É quase um salto. Salto de letras, de literalidade e de língua. E, é neste momento da poesia que nos encontramos, buscando os cacos da modernidade e nos deparando com os buracos do contemporâneo.

 

 

03 de agosto de 2008

 

Par Barrosjose
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Dimanche 20 juillet 2008

 

A tarde cai mais uma vez na cidade do Rio de Janeiro. Estamos mergulhados em uma zona de angústia, expressão mais do que apropriada para descrever o que se passa em nossa cidade.

Zona de angústia: esta atmósfera de sueno y de inquietud que lo hacía circular a través de los dias como un sonámbulo.

Erdosain, personagem do livro Los siete locos, imaginava que existia esta zona acima do nível das cidades, a dos metros de altura, y se le representaba gráficamente bajo la forma de esas regiones de salinas e desiertos que en los mapas están revelados por óvulos de puntos tan espesos como las ovas de un arenque.

Roberto Arlt descreve a faixa de angústia com muita precisão. Podemos pensar este sítio como a conseqüência do sofrimento dos homens.

Segue o texto que não ouso traduzir:

Y como una nube de gas venenoso se trasladaba pesadamente de un ponto a outro, penetrando murallas y atravesando los edificios, sin perder su forma plana y horizontal; angustia de dos dimensiones que guillotinando las gargantas dejaba en éstas un regusto de sollozo.

 

Soluço que nos engasga e corrói a cidade.

 

 

 

20 de julho de 2008                        

 

Par Barrosjose
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Samedi 19 juillet 2008


 

O poeta observa as gaivotas passando pela sua janela, entre pedras selvagens. São milhares e trazem em seus bicos as cartas do mundo. É como se levassem as cartas a seu destino (Pablo Neruda). Algumas se perdem pelas praias.
O poeta recolhe as cartas que ninguém lê.




19 de julho de 2008.
 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                

Par Barrosjose
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Jeudi 17 juillet 2008

 

 

I - Freud, no texto “Luto e melancolia”, assinala que o complexo melancólico se comporta como uma ferida aberta atraindo para si, de toda parte, energias de investimento. O complexo melancólico, então, esvazia o “eu” até o empobrecimento total. Para dar conta da ferida aberta – uma ferida narcísica – o sujeito melancólico necessita de toda energia disponível. No entanto, por se tratar de uma ferida que não se fecha, não há energia suficiente para suprir tal demanda.

A ferida aberta trazida por Freud, em Celan vai tomar uma direção distinta. O termo cicatricement, introduzido por Celan, fala de uma cicatriz sempre em movimento: uma ferida aberta que deixa uma cicatriz que nunca fecha. Na poética de Celan, podemos pensar que este “buraco” de melancolia – que em Freud pode ser lido como uma ferida na esfera psíquica – sofre um deslocamento. E produz poemas.    

 

                                                                  *

 

II - Na melancolia, o sujeito se defronta com situações impossíveis de serem simbolizadas. O problema é que não há marcas deste fora-simbólico. Assim, o que não veio à luz do simbólico surge no real, e o sujeito diante disto fica com uma impossibilidade de se dirigir à realidade. Este real é algo que surge sem mediação, e continua a ter um efeito traumático daquilo que ficou fora da simbolização. Não há nenhum tipo de expressão que possa nomeá-lo, e não há como circunscrevê-lo e manejá-lo. Ele é inimaginável e inapreensível. Podemos, então, pensar o real como um movimento de travessia.

Há, então, também, um movimento de esvaziamento do sujeito que o faz escavar seu próprio vazio. O vazio escavado pelo poeta, repleto de real, encontra o “ponto de poesia” para trazer à tona um poema. Nas palavras de Celan: o escrito cava-se.

E o poeta que escava os “fatos” que o atingem, ali onde a memória se inflama, trabalha com camadas que precisam ser cautelosamente exploradas para também revolver outras camadas que ficaram fora de simbolização, mas que foram atravessadas anteriormente pelo real.

 

 

 

16 de julho de 2008

 

Par Barrosjose
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Dimanche 13 juillet 2008



No prefácio à tradução francesa do livro Ulisses, Jacques Aubert assinala que não é apenas a filosofia que fala grego. Mas, a literatura também fala grego e caminha adiante de nós.

Stephen Dedalus, um dos personagens de Retrato do Artista quando jovem, reaparece em Ulisses. Dedalus porta em seu nome uma alusão mitológica: Dedalus, um inventor por excelência, um engenhoso artífice – aquele que inventa as coisas uma a uma.

Joyce, chamado por Aubert de o artífice não mitológico, se apoiava na invenção mitológica.

O escritor acredita que o homem se confronta com o real – este inominável que atravessa os séculos –, e deste encontro ele não sai desprovido de efeitos.

Este real da língua atravessa a obra de Joyce, e em Ulisses o modo de interromper as frases é notável, pois o escritor imprime sua singularidade na língua. 

Quando lemos Joyce estamos sempre nos acostamentos da língua. Jacques Lacan chegou mesmo a pronunciar que ficava tão embaraçado com Joyce como um peixe com uma maçã. E se via inexperiente diante da lalangue presente na escrita dele.

Lalangue – uma invenção de Lacan – foi traduzido por Haroldo de Campos por lalingua, e traz em sua definição uma impossibilidade. Aponta a negação do universal (há uma impossibilidade da universalidade da língua).

 A escrita de Joyce traz em suas bordas uma oscilação de linhas, oscilação que vai se intensificar com Finnegan’s Wake e o jogo de equívocos de lalangue.    


13 de julho de 2008 
   

 

Par Barrosjose
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Samedi 12 juillet 2008

 

Mario de Andrade em seu livro A escrava que não é Isaura, nos conta uma parábola: Durante séculos a poesia foi recoberta por uma sucessão de disfarces e enfeites que a obliteraram completamente, até que, de repente, alguém os arrancasse e lhe restituísse a pureza e a autenticidade. Este alguém foi Rimbaud.

Há toda uma tradição poética que começa com Rimbaud.

Inventei a cor das vogais! disse o poeta.

A negro, E branco, I vermelho, U verde, O azul: vogais

Voyelles é um poema “experimental” que nos sugere que o poeta trabalha a partir de uma dimensão inconsciente. Na introdução da fórmula Je est un autre (Eu é um outro), Rimbaud manifesta o seu trabalho com o inconsciente.

Je est un autre afirma que o sujeito está descentrado com relação ao individuo. O sujeito humano não tem o eu (moi) como centro.

Eu é um outro introduz uma rachadura que não pode mais ser remendada. Este sujeito apresenta algo lacunar.  Esta rachadura também é uma abertura – abertura do inconsciente –mas uma abertura que, inclusive, pode ser entendida como uma ferida, uma dimensão da experiência poética. A partir da frase de Rimbaud, o que se apresenta é a descontinuidade do eu. Rimbaud se opõe, nas palavras de Michel Collot, à teoria tradicional da expressão, segundo a qual o eu, na sua identidade e integridade será mestre e fiador – “auctor” – de sua palavra.

A oposição de Rimbaud quebra a hegemonia do eu. Ele recusa a concepção cartesiana que dá ao sujeito a faculdade de coincidir com ele mesmo no ato de pensar: é falso dizer: eu penso: deveríamos dizer: alguém me pensa. Rimbaud se mostra atento a isso que se passa alheio a si mesmo.

Vale lembrar aqui Lacan que também recusa a idéia do “eu penso”. Lacan diz que a questão que a natureza do inconsciente coloca diante de nós é, em poucas palavras, a de que alguma coisa sempre pensa. Freud também assinala que o inconsciente está acima de todos os pensamentos e que aquilo que pensa está vedado à consciência.



11 de julho de 2008 

Par Barrosjose
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Mercredi 9 juillet 2008

                                                                                          para Atiq Rahimi    


Terra e cinzas não tão longe da guerra

que roubou as lágrimas dos pais em terras distantes

lágrimas esquecidas

um verso de Paul Celan que traz um mundo às avessas

conta uma conversa a dois

com criaturas mortuárias

:

uma lágrima que rola torna a subir em seu olho

aqui os barulhos do mar são diferentes

dos barulhos de pedras distantes

a maçã alivia a fome

a criança não consegue morder a maçã

faltam dentes

(que ainda estão por vir)

 

recordo outra vez Celan:

encontra a língua, encontra o dente



09 de julho de 2008

Par Barrosjose
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Lundi 7 juillet 2008

 

A experiência de um leitor se funda no texto e toca a experiência do escritor. Sabemos, a partir de Freud, que o texto provoca no leitor um efeito estético. Este efeito pressupõe uma participação do leitor. Lembremos aqui o texto de Freud, Escritores criativos e devaneios. Ele diz que a verdadeira ars poética está na técnica de superar o sentimento de repulsa que o texto poderia nos causar. Não sabemos como o escritor consegue fazer isto mas, tem importantes conseqüências para o leitor.  Freud fala que o escritor suaviza o caráter de seus devaneios egoístas por meio de alterações e disfarces, e nos suborna com o prazer puramente formal, isto é, estético, que nos oferece na apresentação de suas fantasias. Freud denomina de prêmio de estímulo, ou de prazer preliminar, o prazer desse gênero, que nos é oferecido para possibilitar a liberação de um prazer ainda maior. Na opinião de Freud, o prazer estético que o escritor criativo nos proporciona é da mesma natureza desse prazer preliminar.

A verdadeira satisfação que temos ao ler uma obra literária procede de uma liberação de tensões em nossa psique. Talvez, grande parte desse efeito estético seja devido a possibilidade que o escritor nos oferece de – a partir do momento em que a leitura “pegue” como o fogo pega (Merleau-Ponty) – nos deleitarmos com nossos próprios devaneios. Quando isso se dá, sofremos uma torção, torção que deixa um traçado. Traçado de superfície: uma espécie de pontilhado de letras, no qual a cegueira do leitor cessa.

É como diz Emmanuel Hocquard: um livro que nós lemos deixa traços invisíveis /  ele bebe de um trago a água de seu copo. 

Um leitor que bebe, que voa de letra a letra, experimenta. É uma superfície vibrante, que salta de risco em risco, variando as entoações, sempre falhada a voz ( Manuel Gusmão). Assim, o leitor põe-se a escrever.

Mas, quando é que ele escreve? Escreve, de onde e para onde? o leitor escreve para quem? Estas perguntas apontam uma falta.

E, introduzo a questão: de alguma maneira o leitor escreve para que seja possível...................................

 

 

06 de julho de 2008

 

 


      

Par Barrosjose
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Dimanche 6 juillet 2008

 

 

Dicionário Celan: alemão-francês (encontrado somente nas cartas de Paul Celan à sua mulher Gisèle Celan-Lestrange).

Um dicionário para os poemas de Paul Celan em alemão, para os leitores que não sabem a língua alemã (originalmente feito pelo poeta para Gisèle).

Dicionário de amor – de vida – de cicatriz: Die Narbe – la cicatrice narbenwahr – vrai comme une cicatrice vrai-“cicatricement”.  

Cicatricement: uma cicatriz sempre em movimento.

Podemos arriscar ainda, cicatrizmente.

Dicionário recomendável para aqueles que se debruçam sobre uma mesa para ler e escrever.

Mesa de madeira, cotovelo em cima, uma perna tocando levemente esta substância sólida constituída de fibras e vasos condutores da seiva bruta, que compõem a parte principal do tronco, dos ramos e das raízes (Francis Ponge).

Olhos no ar, pena em guarda, às vezes um lápis, respiração que pulsa tendendo ao desgaste, pensamento a espera da mão – mão, este órgão d’escrita.

Mesa de madeira: assentado, encurvado sobre a mesa, um escritor em concha.

 

 

05 de julho de 2008

 

 

 

Par Barrosjose
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  • jose.barros
  • : vestiges Divers
  • : Este Blog apresenta parte de meu trabalho fotográfico, com a intenção de compartilhar um percurso de mais de 10 anos de fotografia. Além disso, a partir do início de maio de 2008, comecei a escrever uma coluna (Folhas Volantes) para o site Sibila - Revista de Poesia e Cultura (www.sibila.com.br).
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